21/06/2013 | Racionauto NOVOS JAC J3 E J3 TURIN - LANÇAMENTO

Passados apenas 2 anos e 3 meses desde sua chegada ao Brasil, o JAC J3, nas versões hatch e sedã (Turin), renova suas linhas por dentro e por fora, chegando ao mercado oficialmente como linha 2014. O evento de lançamento organizado ontem, 18/06, pela JAC Motors apresentou à imprensa as mudanças nos dois modelos.

O face-lift aplicado na linha J3 vai além do que sugere o novo visual da carroceria. O hatch ficou mais discreto: só a frente mudou, recebendo novos faróis, grade, para-choque e capô, e a traseira foi mantida. Já o sedã Turin ganhou também uma traseira completamente reestilizada, com para-choque, lanternas e tampa do porta-malas refeitos. Ambos ganharam novas rodas de liga leve com aro de 15 polegadas, as mesmas do J3 S 1.5 Jetflex, e o resultado agrada. Mas a maior - e melhor - mudança está do lado de dentro.

Primeiras impressões

O RACIONAUTO dirigiu, a convite da JAC Motors, um J3 Turin por aproximadamente 250 km entre a cidade de São Paulo e o distrito de Joaquim Egídio, nas redondezas de Campinas (SP). Ainda que tenha havido poucas mudanças mecânicas, o test-drive revelou uma evolução notável no modelo.

O motor é o mesmo 1.3 16v VVT (que a JAC chama de 1.4) com 108 cv de potência a 6.000 rpm e 14,1 kgfm de torque a 4.500 rpm. Rende melhor em rotações mais altas, mas é suficiente nas baixas. A suspensão independente, com sistema McPherson na dianteira e braços triangulares na traseira, continua ótima. Ainda que permita um pouco de rolagem em curvas feitas no limite, a proposta do J3 é o conforto: andando no limite da via ele se sai melhor e filtra as irregularidades com perfeição. Na estrada, aliás, foi onde percebemos a melhora no revestimento acústico e na qualidade de montagem do sedã: há muito menos ruído interno agora.

A JAC também pontuou, na coletiva de imprensa, mudanças no trambulador do câmbio e no sistema de direção. Falando do câmbio, realmente houve progresso - especialmente em relação ao J3 Turin que testamos em julho de 2012 (veja a avaliação aqui), onde pontuamos engates às vezes imprecisos e dificuldades no acoplamento da primeira e segunda marchas quando o carro estava frio. Neste, todas as marchas entram bem, de forma mais justa e macia.

A direção hidráulica, por sua vez, pareceu mais robusta e ligeiramente mais direta no teste. O volante fino e de má empunhadura foi trocado por outro muito mais bonito, revestido em couro, com ótima pega e comandos do sistema de áudio. Todo o interior, aliás, é completamente novo. Ainda predomina o plástico, mas as texturas melhoraram, os encaixes evoluíram e a aplicação de cromados e detalhes em black piano trouxeram para a cabine uma aparência muito mais requintada, simétrica e agradável. Defeito da versão anterior eram os reflexos do painel no para-brisas, coisa que não ocorre mais.

Há outros acréscimos muito bem-vindos. A chave-canivete com comandos das travas e alarme substitui a enorme chave do modelo anterior. O ar condicionado do novo J3 é automático; se já era bom, ficou ainda melhor, gelando a cabine em questão de segundos através de novos difusores, agora com formato retangular e melhor direcionamento do ar. A iluminação no painel se tornou branca, muito mais agradável à vista, e sua intensidade pode ser regulada através de um dimmer ao lado do controle de altura dos faróis. Entre os mostradores - velocímetro e marcador de temperatura de um lado, contagiros e marcador de combustível do outro, abrigados por uma moldura cromada - há um visor digital que mostra, além do hodômetro e do relógio, qual porta está aberta. O sistema de áudio progrediu, sendo agora integrado ao painel, tendo mais recursos e melhor qualidade sonora.

A JAC se esforçou ainda para modificar certos detalhes do J3 que, mesmo parecendo pequenos, irritavam muitos proprietários. É o caso da textura dos botões no painel e portas, agora emborrachados e bastante agradáveis ao toque. Na porta do motorista, aliás, além do revestimento em black piano e dos novos botões, há o destravamento central das portas, ausente no modelo anterior. O acionamento das hastes atrás do volante foi revisto e elas se tornaram mais suaves e menos ruidosas. E a antiga alavanca do freio de mão, que dava a impressão de extrema fragilidade, passou a ser mais firme e com melhor pega.

O J3 Turin mantém, no entanto, alguns defeitos - parte decorrente do projeto e parte que poderia ter sido revista, mas não foi. O entre-eixos curto limita o espaço interno e o porta-malas é pequeno, o menor dentre os carros de seu segmento no país. Os bancos, os mesmos da versão S 1.5 com costuras na cor do tecido, não são desconfortáveis, mas não passam a mesma impressão de requinte obtida com o novo painel e também não contam com ajuste de altura. O sistema de áudio continua sem Bluetooth e sem uma entrada auxiliar decente. Ainda não há computador de bordo, item já presente em modelos mais baratos. E um defeito imperdoável, que poderia ter sido revisto, é o controle dos retrovisores externos: mesmo tendo migrado para o painel, à esquerda do volante, continua invertido.

No balanço, são poucos defeitos para um carro que já trazia bom conteúdo e ainda melhorou bastante. Os mesmos itens da versão anterior estão presentes, além dos adicionais: ar condicionado automático, direção hidráulica com volante multifuncional e coluna regulável em altura, vidros elétricos nas 4 portas com one-touch no do motorista, travas elétricas e alarme com controles na chave-canivete, retrovisores elétricos, CD/MP3 player com entrada auxiliar, sensor de estacionamento traseiro, rodas de liga leve, faróis de neblina, faróis principais com ajuste de altura, airbag duplo e ABS são de série, pelo preço de R$ 37.990,00 (ou R$ 35.990,00 o hatch). A garantia é de 6 anos, sem limite de quilometragem.

Vai haver reclamações, sem dúvida. Porque a cultura no Brasil ainda é de carro visto como bem de capital, que faz uma boa parcela do mercado consumidor de automóveis simpatizar mais com carros que demoram a mudar de cara. Mas o que a JAC Motors está fazendo com o lançamento da nova linha J3 em tão pouco tempo de mercado vai além: é o investimento não somente na renovação de um modelo, mas na quebra de um paradigma. Realmente, os chineses aprendem bem rápido.

Fonte: http://racionauto.blogspot.com.br/2013/06/novos-jac-j3-e-j3-turin-lancam...